Salvador, 15 de junho de 2019
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Entre o final da década de 90 e o começo dos anos 2000, o trabalho da TVE Bahia focado em coberturas de expressões culturais emergia: de gravações de especiais, transmissões ao vivo de shows musicais e de quadros de arte exibidos no antigo TV Revista - hoje, TVE Revista -, veio a ideia de criação de um programa especializado. Assim nasceu o Soterópolis, que foi ao ar, pela primeira vez, em 23 de outubro de 2003. De lá para cá, teve cinco apresentadores: Luciana Accioly, Mário Sartorello, Jéssica Smetak, Ricardo Castro e Vânia Dias. Para marcar esses 10 anos no ar, entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro, o aniversário será festejado com a especialidade do Soterópolis: mostrando outros olhares sobre a cultura, durante o IX Panorama Internacional Coisa de Cinema, no Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha (Praça Castro Alves, Salvador). A revista eletrônica marcará 432 edições, no primeiro dia de comemoração, que terá exibição de clipe sobre o programa, antes de cada filme, e entrevistas especiais pelos espaços do Cine Glauber.

O evento no cinema da Praça Castro Alves começa às 20h30 da quinta-feira e a equipe do Soterópolis estará a postos para cobertura sob óticas diferenciadas: as peculiaridades do cinema mexicano, a difícil arte de ser jurado, perfil do cineasta Roberto Pires e a produção da sétima arte na Bahia estão entre as pautas. Em espaços sociais do cinema, telas exibirão reportagens antigas, vídeos dos arquivos do programa, trechos que marcam a memória do Soterópolis. No mesmo dia, às 21h, a edição número 432 do programa levará ao ar, pela TVE Bahia e Portal do Irdeb (www.irdeb.ba.gov.br), a segunda parte de seu panorama da cultura baiana ao longo da última década. Artistas como a cantora Juliana Ribeiro, o cineasta Rodrigo Luna, a coreógrafa Cristina Castro e a dramaturga Adelice Souza trarão seus olhares sobre o assunto e sobre a evolução da própria carreira.

O PROGRAMA

O Soterópolis é filho de um desejo bem anterior à sua criação. Desde que a produção era uma sala pequena no corredor da TVE, já se fazia documentários, gravação de especiais, transmissões do projeto Sua Nota é Um Show e as melhores coberturas ao vivo de festas populares que a TV baiana já teve. “Eu, Pará e Guilherme Marback (que agora está em São Paulo) queríamos fazer um programa semanal de cultura, que fosse ao ar aos sábados. Primeiro, criamos os quadros de arte que iam ao ar dentro do TV Revista, hoje TVE Revista, até que, em 2003, depois de termos produzido, aqui na Bahia, os dez anos do programa Metrópolis, da TV Cultura, tivemos a oportunidade de realizar o antigo sonho e surgiu, então, o Soterópolis”, lembra a primeira diretora e uma das idealizadoras do programa, a jornalista Dóris Pinheiro.

Ao lado de Dóris estava Edinilson Motta Pará, que, até hoje, faz parte da equipe do programa. “Lembro-me que tudo começou a partir de um momento comemorativo. A produção se deslocou para transmissão em rede nacional daqui de Salvador e me vi fazendo parte da equipe, que, na época, era Hélio Goldjeinstein, o diretor e curador artístico, Ivan Marques, o editor, Ernesto Hypólito, o diretor de cena, Marcos Maciel, o pauteiro, e os apresentadores eram Lorena Calábria e Cunha Jr. E eu, que já trabalhava na produção de programas especiais na TVE, fiquei responsável em fazer a produção de campo das matérias e produção da apresentação do programa. O primeiro contato com esses profissionais mostrou para mim que era possível falar de cultura e arte sem o peso da cobertura jornalística do dia a dia”, conta Pará, diretor de cena do Soterópolis.

Em reuniões, a equipe de produção da TVE discutia a formatação do programa, que recebera, sob inspiração do Metrópolis, o nome Soterópolis, já que o programa surgia em Salvador. Ao lado de Dóris e Pará estavam também o jornalista Welinton Aragão, antigo diretor de Operações da TVE, e Denise Dias e Zeca de Souza. Estes dois últimos continuam dando vida ao Soterópolis: ela como produtora e editora de texto; ele como diretor de cena, editor e narrações. Para apresentar, a jornalista Luciana Accioly, que fazia o quadro de Artes Visuais no TVE Revista, foi preparada, juntamente com o radialista Mário Sartorello. “Com foco na arte e na cultura baiana, o Soterópolis logo conquistou identidade própria. Lembro bastante do primeiro cenário do programa com obras do mestre gravador baiano Calasans Neto e da entrevista que tive oportunidade de fazer com ele. Era um universo muito especial, encantado, que o artista ofertava, agora não apenas ao reservado público frequentador das galerias e dos museus. O Soterópolis nasceu sob a benção do Mestre Calá. só podia dar certo!”, diz Luciana, que esteve no comando do programa desde a estreia até 2011. Sartorello dividiu a apresentação com Luciana até 2009, quando suas atividades na 107.5 – Educadora FM tornaram-se mais intensas e ele optou por sair do programa.

No início de 2012, o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) lançou edital para escolha de novos apresentadores para o programa. Durante o processo do edital, enquanto o concurso estava com inscrições abertas e a fase de eleição, a jornalista assumiu o posto no programa: Jéssica Smetak, que já era repórter na TVE. “Foi minha primeira grande experiência. Senti que o programa tinha uma linguagem leve, contemporânea, principalmente da nossa cultura baiana, com muita arte, eu me encontrei”, conta. “A equipe trabalha de forma muito afinada, em completa sintonia, desde a produção da pauta, até o diretor de imagens, tudo totalmente afinado, e, por isso, dá prazer trabalhar em um programa que tem esse cuidado”, completa.

A seleção para apresentadores teve 135 inscritos e a dupla de vencedores, anunciada em junho do mesmo ano, foi o ator Ricardo Castro e a jornalista Vânia Dias. Ele trouxe extensa carreira no teatro, sob direção de renomados profissionais como Fernando Guerreiro e Maria Alice Vergueiro. Ela, jornalista com experiência como apresentadora e repórter em TV WEB, produção para cinema e, também, como atriz de teatro e cantora. “Foi a minha primeira experiência como âncora em TV aberta. Eu tinha uma expectativa em trabalhar com Ricardo, porque ele tinha anos de teatro e eu vinha de uma experiência de seis anos somente e eu pensava como seria estar ao lado dele, a troca, e tivemos uma sintonia muito boa”, conta Vânia. “Eu já tinha passado por outras linguagens artísticas e vi no Soterópolis a reunião de todas elas”, completa. Os dois âncoras comandaram o programa por um ano e, desde julho de 2013, o amor pelo teatro levou Ricardo de volta às artes cênicas, mesmo período em que o ator passou a investir em sua ampliação no universo artístico, através da fotografia, longe das telinhas como apresentador. Agora, neste segundo semestre de 2013, Vânia segue no comando das reportagens e dá voz ao programa, ao lado de Zeca de Souza.

Desde 2005, quando Dóris Pinheiro migrou para produção de roteiros para rádio e TV, no Irdeb, quem assumiu a coordenação geral do programa foi a também jornalista Silvana Moura. O Soterópolis, que fora inspirado no programa da TV Cultura, foi assumindo cada vez mais um perfil próprio e, hoje, reúne histórias e quadros que marcam sua identidade na televisão baiana. “Muita gente já passou por aqui. Difícil é dizer quem não passou. De artista baiano a internacional, em começo de carreira aos renomados, o Soterópolis já mostrou muita entrevista legal”, analisa Silvana.

Os atores Evelin Buchegger e Lúcio Tranchesi, os artistas plásticos Caetano Dias e Vinícius S.A., a fotógrafa Isabel Gouveia, o músico Roney Scott, o cineasta João Rodrigo e os três artistas da geração da família Cravo, Mario Cravo Jr, Cravo Neto e Christian Cravo, são alguns nomes que já passaram pelo programa. “Acho que estive no programa, pelo menos, sete vezes. Minha lembrança maior é muito das artes plásticas. Mesmo eu sendo de outra linguagem, o teatro, eu tenho muita lembrança do enfoque dado às artes plásticas da Bahia”, diz o diretor de Teatro Luiz Marfuz. “A primeira entrevista que dei ao Sotéropolis tem tanto tempo que eu nem me lembro. O que o Soterópolis passa é o exemplo de cidadania, a socialização da democracia”, reflete o professor e filósofo Antônio Saja.

No universo democrático das linguagens, quem também foi pauta no Soterópolis é a artista Andrea May. “Realmente, o tempo passa muito rápido e, quando tento focalizar o que estava fazendo há 10 anos, me vem à mente os trabalhos de Street Art que desenvolvia no grupo COLAtivo e com o qual tive oportunidade de realizar um cenário para o Soterópolis. Talvez aí tenha sido uma das primeiras vezes que participei”, diz. “A abrangência e o respeito com que o programa trata a cultura e a arte local, isso vale mais que uma lembrança só. O fomento à diversidade cultural, sempre valorizando cada representante, individualmente e sua força no coletivo”, completa.

Além de um currículo rico em entrevistas com personalidades artísticas, o Soterópolis também tem, entre suas marcas, a forma diferenciada de abordagens em suas pautas. “A gente vai aonde os eventos acontecem, mas não falamos o que todo mundo fala. A gente procura experimentar enfoques diferenciados, como os processos de construção de uma peça, o que está por trás de um espetáculo de dança, o universo criativo dos artistas”, explica a coordenadora Silvana. “Uma matéria bacana que eu vi foi sobre a peça 1,99. Foi, inclusive, o motivo para eu ir à peça. O Soterópolis mudou o enfoque, quando chegou em termos de cultura e revista cultural. O que mais me marcou sobe o programa foi o ineditismo, o fato de ter um programa chamado Soterópolis falando da cena cultural de Salvador”, considera o músico Fábio Cascadura.

Além do olhar sobre bastidores de grandes eventos, o Soterópolis chega aonde tem arte. “Vamos nos lugares mais inusitados, vamos aos bairros que não estão no conhecido roteiro artístico de Salvador, mas que nem por isso têm menos arte, como encontramos no Festival Heavy-Metal em Cajazeiras”, diz Silvana. Com um perfil marcante, o programa vem trazendo, agora, um novo formato: em vez de uma clássica apresentação, o Soterópolis começa com voz em off e muita imagem, enquanto as matérias estão sendo alternadas com uma entrevista divida em blocos. “Durante as férias de Ricardo e Vânia, experimentamos essa nova proposta e vem dando certo, tivemos um retorno positivo”, conta a coordenadora geral.



 

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