Salvador, 26 de junho de 2019
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As três décadas de Itajubá Lobo (1955 - 2013) dedicadas ao audiovisual serão lembradas na mostra Sob o Olhar de Itajubá: Homenagem ao Cinegrafista Itajubá Lobo, que irá ao ar todo sábado, até o final de setembro, sempre às 15h, na TVE Bahia. Foram selecionados quatro documentários, produzidos entre os anos 80 e 2000, que contam com o trabalho do cinegrafista e diretor de vídeo: Xangai: Estampa Eucalol (dir.:José Maria dos Santos, 1986), Quixabeira: Da Roça a Indústria Cultural (dir.: Ângela Machado, 1996), Os Últimos Saveiros da Bahia (dir.: Ângela Machado e Francisco Diniz, 1998) e São Joaquim – A Feira (dir.: José Américo Moreira da Silva, 2006).

Premiado nacionalmente, Itajubá Lobo foi, durante toda sua trajetória na TVE, um dos mais prestigiados profissionais da emissora, fazendo parte de projetos especiais como o Bahia Singular e Plural, que documentou as manifestações populares em várias regiões da Bahia. No currículo, ele reuniu experiências como iluminador, diretor de imagem, TV e fotografia, coordenador de master e professor. Itajubá faleceu no último dia 23 de agosto.

No primeiro sábado, dia 07 de setembro, será exibido Xangai: Estampa e Eucalol, dirigido por José Maria dos Santos. O documentário mostra o cotidiano do músico baiano Eugênio Avelino, conhecido como Xangai. O programa foi construído com base em uma longa entrevista concedida pelo artista ao jornalista Valber Carvalho, sob a sombra de uma árvore, na fazenda do músico, próximo ao município de Vitória da Conquista. Xangai relata, em um tom de bate-papo, temas sobre o processo de composição, seu dia a dia lidando com a natureza, suas parcerias, além de mostrar muita música. Apesar de ter sido gravado em U-matic, antigo sistema de captação de imagens que não trazia a qualidade tecnológica que conhecemos hoje, o documentário, de 1986, encanta pelas belíssimas imagens registradas por Itajubá Lobo. “Foi meu primeiro doc na TVE e o primeiro com Itajubá. Eu começo uma parte da entrevista tocando gaita embaixo de um cajueiro e Itajubá vinha descendo em pan do alto da copa da árvore, enquanto o som rolava”, lembra Valber Carvalho. “Nessa época de tantas facilidades tecnológicas, é sempre bom lembrar que tudo foi feito com uma só câmera sem uma base de play-back”, completa.

No dia 14 de setembro, é a vez de Quixabeira: Da Roça a Indústria Cultural, um documentário produzido e exibido pela TVE e que conta a história da música da comunidade de Lagoa da Camisa, próxima à Feira de Santana, aqui na Bahia. Os integrantes desta comunidade foram reunidos, em 1991, para a gravação de quatro faixas para o disco “Da Quixabeira pro berço do rio”. Isto Chamou a atenção do músico Carlinhos Brown, que gravou a canção de domínio público “Quixabeira”, tornando-a nacionalmente conhecida. O documentário mostra como os membros do grupo mantêm o objetivo passar para os mais jovens a continuidade das suas manifestações culturais e musicais – o boi de roça, o samba de roda, o batuque da roça, a chula, o reisado, as cantigas de roda, a bata de milho e de feijão – como forma de transmissão e preservação da sua cultura. A produção enfoca na trajetória da canção “Quixabeira” que migrou dos campos para o sucesso em diversas regravações. As imagens captadas por Itajubá Lobo revelam a singularidade e riqueza desta comunidade. A direção é de Ângela Machado e foi produzido em 1996.

Já no dia 21, Os Últimos Saveiros da Bahia demonstra como os saveiros, especificamente os de vela de içar, estavam em processo gradual de desaparecimento do contexto sócio-­cultural e econômico do Recôncavo baiano. Com depoimentos e imagens dos poucos saveiristas que restam na região, na Baía de Todos-os-Santos e Baía de Camamu, o documentário marca a memória histórica dessas embarcações, que já foram o principal meio de transporte de mercadoria entre os municípios do interior e Salvador. As imagens de Itajubá Lobo foram feitas em terra e em alto mar. A direção é de Ângela Machado e Francisco Diniz e foi produzido em 1998.

No último dia da mostra, vai ao ar São Joaquim – A Feira, dirigido por José Américo Moreira da Silva; de 2006. Esse é um documentário produzido pela TVE Bahia que mostra o cotidiano da maior feira livre de Salvador, criada na década de 1960, depois da destruição da antiga feira de Água de Meninos, consumida por um incêndio. O vídeo mostra a Feira de São Joaquim como um dos grandes mananciais de comercialização de artesanatos de barro, como alguidares, cuscuzeiros e potes produzidos no Recôncavo Baiano, e venda de produtos para rituais de candomblé. A fotografia de Itajubá Lobo mostra o multicolorido universo deste ambiente de comércio a céu aberto.

Você também pode assistir os programas online através da programação da TVE Bahia ao vivo.



 

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